Apresentação pública da obra “Icarus Inside”

Casa Museu Teixeira Lopes

Vila Nova de Gaia

24 de Abril de 2010

pelas 16 horas

Rua Teixeira Lopes, 32
4430 – Vila Nova de Gaia
Telef.: 22 375 12 24

Diz-se que perder uma fotografia é perder a memória duas vezes. De igual modo explicar um quadro é assassinar aquilo que foi representado duas vezes. Não se procura neste breve texto, em momento algum, explicar (decifrar) a obra, antes focar pontos de interesse. Talvez convidar o espectador para um mesmo barco e remar em direcção a alguns arquipélagos.

A presente obra “Icarus Inside” nasce de um conjunto de trabalhos que reeditam a história mitológica de Ícaro. Dois deles são aqueles que se vêem nas imagens em baixo. Em ambos Ícaro é um menino que brinca. O cavalo reforça uma cenografia mitológica, uma figura que tanto sugere divindade como a sua subversão. Grotesco e brutalidade do híbrido cavalo-menino.

Este contexto simbólico assume-se, em alguns momentos, revolta ao mundo dos adultos na sua dimensão mais moralista e educacional que continua a encarar a infância como um processo rápido de transição para uma vida futura. A ânsia de moldar entidades recentes de mundo parece ser uma necessidade e uma estratégia contemporânea de produto.

Assim, a obra “Ícaro não precisa de voar” (4) foca um menino no seu momento de brincadeira. O bicho cavalo convive harmoniosamente com o gato que atravessa convicto um anel manipulado. Menino malabarista dos próprios sonhos? Talvez.O menino Ícaro era Azul” (1) fala de um esforço. Amarrado ao seu skate Ícaro imagina rodas que não existem, estendendo as suas asas…. No entanto, alguém lhe lembra que Azul é cor do elemento onde irá repousar a sua jornada.

No meio deste engendrar, de reactualizar e subverter mitos ou estórias, manteve-se a arqueologia do traço para a simbologia destes propósitos. Aquela que contorna, marca, sulca e divide.

Em correspondência com outro artista (Cruzeiro Seixas) falámos da arbitrariedade do mundo e dos seus inevitáveis constrangimentos, terramotos ou moralismos. Assim nasceu o esboço para “Icarus Inside”. Desenhou-se o desenrolar da acção mitológica nos seus três gloriosos momentos: fuga, felicidade e tragédia. Nasceu um “não sarcástico” que recusa à tragédia os seus explícitos moralismos.

Queria a “pintura a traços” com o seu título feito de estrangeirismos “Icarus Inside”  urrar:  para além das asas arranjem-lhe um pára-quedas, mas deixem-no Voar até derreter as suas asinhas, beber a diversidade das águas salgadas e profundas até se afogar, regurgitar aos homens a diversidade dos oceanos ao mesmo tempo que relata os bafos quentes dos céus mais belos da sua atmosfera!

Mudem-se os tempos mudem-se as vontades…..

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