Natureza Assassina: o conceito de Abstenção são três brejeiras que explicam a diferença entre o cómico e o humor

Das eleições interessa reter que o belo almoço ou jantar já não é sénior, mas sim juvenil. Ouvia eu no fundo de uma galeria de arte (por sinal), um comentador dos vários discursos políticos, “filho inscreve-te na juventude…mais à direita ou mais à esquerda, fazes erasmus, rappel, interail, entras no processo da cadeia alimentar e não chateias sequer o centro de emprego. Hoje pensamos um pouco nas nossas “cores politicas”, no “esbanjamento” e em coisas “privadas e particulares” que à força querem de repente ser públicas.

Abstenção? Que coisa feia,  isso não é politica! Pois não meu caro, é um conceito. É o que separa o cómico do humor. Passo a explicar, estava eu apanhar umas areias nos olhos numa praia vulgarmente assediada pelo vento, quando ouvi uma daquelas sentenças que parecem lemas a estampar em t-shirts, ou ter como frase de abertura de um diário. Na diferença entre o cómico e o humor está abstenção, que são três raparigas que desciam a colina e vai uma delas diz para a outra, “olha mata-te e compra a bíblia”. Porra que coisa dura e brejeira de se dizer em voz alta, mas talvez se aplique aqui o sentido do absurdo:

1 É cómico – Saber que votar solidifica os nossos papéis na vida sócio politica do pais e não se votar.

2) É humor –  Saber (através das três brejeiras) que ler pertence a um estado específico de vida; uma reflexão íntima e trágica de alguém que está em vazio como quem faz uma greve de fome; simpatia e rebeldia pela condição humana.

Sobre esta abstenção quero voltar a relembrar que desde que desapareceu a menina na praia da luz já desapareceram mais de meia centena de crianças, só em Lisboa. Que a contratação de menino de ouro dava para comprar as sardinhas aos espanhóis e se sobrasse dinheiro surgia um hospital ou dois. Santo António facilitava enrascados (de amores) existiu mesmo e era português. Desenrascou-se da nostalgia e assim que conquistou o respeito por todos resolveu não voltar a casa. A natureza é mesmo assim “Assassina” feita de língua comprida de generalidades e celebrações.

Natureza Assassina, óleo s tela, 60x90, 2009

detalhe de natureza assassina

detalhe de natureza assassina 2

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