Há hora de designar

O desenho serve-me para operar num vazio através da manipulação e gestão de determinadas imagens. Existe uma dificuldade em denominar e identificar em que contentor se caracteriza a minha opinião/ opiniões. No entanto à hora de designar aquilo que nasce da ordem dos afectos encontro no programa do desenho, mais propriamente na sua singularidade arcaica de gerir ideias (opiniões) antes de rabiscar, ferir, marcar, o reportório ideal para pôr em movimento a gestão do meu imaginário, para lá do adornar, estetizar e formalizar que a pintura proporciona apesar de a sua sedução ser tentadora. Não quero dizer que aja médiuns mais validos que outros, trata-se apenas eleger ritmos que cada ciência exige…

Para mim uma evidência essencial, uma inteligência em formação é não responder à questão “é desenho?” Que é igual “o que é o desenho?” é pelos vistos: saber respirar, articular e também se diz por aí que é aquilo que não se deve negligenciar. Para mim é apenas provar novos fantasmas por regulações normativas, onde para se ser irreverente é desde á muito necessário que se tenha regra bem interiorizada (estudada).

Provavelmente (para muitos é algo certo) falta complemento (s) ao trabalho aqui exposto, clareza? Ou opacidade? Para já trato do timbre da própria voz, destas opiniões/opinião desenhando, ilustrando ou mesmo pintando. Sei que despersonalizar o que é característico é o mesmo que procurar um homem morto, contudo o absurdo não me incomoda de modo algum, espírito de infância?! Um absurdo lúdico? À exaltação do amor, da amizade, uma revolta, violência, conformismo, censura, o desenho é um ilustre.

Com comportamento restrito à norma não há vida criativa. A actividade manipuladora que gere as regras que sai e entra do sistema é o bolbo da criatividade. Neste sentido, não me desembaraço das imagens, muitas das vezes ao desenhar um urso devorando as próprias unhas perco-me nos sulcos do carvão e no aspecto mecânico que me lança o registar, dou por mim a fazer golpes ao longo do enunciado já longe do pelo do animal. Através do desenho imito objectos, imagens, coisas já anunciadas, repito-as, consumo as mesmas depois de terem já sido vomitadas. Proponho um novo tempo, com a velocidade específica da minha apropriação. Provavelmente consigo nestas ilustrações (?) parar o observador para lá dos 5 minutos (tempo que hoje em dia se demora a ler [ver] um livro). Procuro afastar a imagem da condição efémera a que está confinada, Ilustrando? No entanto serve-me… havia alguém que me dizia que era um mal de geração a carga ilustrativa, eu prefiro chamar-lhe sintoma como o identificou um professor meu em Bolonha, berço carraciano capital da ilustração. Relação disto? Fenómeno a confirmar…

Warburg… é sempre pouco o que se dedica ao parafrasear e reflectir sobre este autor. Aquilo que disse em relação ao mesmo num espaço exíguo e exigido quando tive de dedicar no mesmo breves palavras, está relacionado com a imagem sobrevivente (conflito que nos lembra no dia do juízo final a lei do mais forte) e com a lógica de abertura a novos saberes por si sublinhada, uma vez que se trabalha sobre a exaustão das imagens e se lhes procura novos rumos, intensificando os seus atributos, lateralizando sempre com um olho na periferia. A natureza da montagem é pertinente e assemelha-se ao método de disposição das imagens de Warburg, à reflexão a que o mesmo incita.

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