“As latitudes da liberdade nas práticas artísticas contemporâneas: Artivistas e suas Artedevertências”

Amigos
deixo-vos o convite para se juntarem ao ciclo de conferências o “Ser e a Liberdade”. A minha intervenção é já na próxima terça (9 de Abril, 2019) e tem como titulo “As latitudes da liberdade nas práticas artísticas contemporâneas: Artivistas e suas Artedevertências”. Conto com a vossa presença a partir das 18h30 no Castelo da Foz. Deixo-vos aqui o programa. Em breve partilho aqui a minha intervenção em Texts Dispersion
até lá AB

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Entrega Simbólica das obras “Geada atormentando as raízes mais profundas” e “Europa Raptando” à FEUC.

Amigos,

no passado dia 2 de Dezembro, dia da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra procedemos à entrega simbólica das obras “Geada atormentando as raízes mais profundas” e “Europa Raptando”. Deixo-vos aqui algumas fotos do evento e o meu discurso/apresentação dos conteúdos das obras:

mario vitoria FEUC 7

Boa tarde a todos,

Parabéns à Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra que hoje celebra mais um aniversário, fazendo o balanço dos seus esforços e conquistas relembrado as suas ações carismáticas. Um cumprimento a todos os presentes: Familia FEUC, Fundação Eng. António de Almeida, Directores e Reitores da Universidade de Coimbra. Um abraço aos premiados deste evento, e um especial à Directora da FEUC Professora Doutora Teresa Pedroso de Lima.

Estou aqui hoje, para proceder à entrega simbólica destas duas obras de arte que ladeiam este palco. Estou aqui hoje também a convite da Faculdade para desvendar um pouco os conteúdos destas obras e a pertinência da sua exposição e o seu acolhimento nesta casa. Para isto devo remontar em primeiro lugar, ao ano de 2014 aquando do Colóquio Internacional de Direitos Humanos “Epistemologias do Sul” em Coimbra organizado pelo Boaventura de Sousa Santos e o CES, onde desenvolvi uma exposição multi-espacial que se estendeu a diversos espaços da cidade, desde o Museu Nacional Machado de Castro, passando pelo Paço das Escolas da Universidade, até a diversas galerias e a Faculdades em particular a de Economia. Tendo sido a Faculdade de Economia um farol deste colóquio escolhi expor aqui três obras de maior relevância sobre o Futuro e sobre os Direitos Humanos: “Ícarus Inside” (no corredor exterior), “Geada atormentando as raízes mais profundas” e “Europa Raptando”.

(A direção da Faculdade presidida pelo Professor Doutor José Reis, mais os professores e antigos alunos no ano de 2015 reuniram esforços e adquiriram a obra “Icarus Inside” marcando simbolicamente o trajeto da Faculdade perante os dias desafiantes do mundo contemporâneo)

Tanto a obra “Geada atormentando as raízes mais profundas” como a obra “Europa Raptando” funcionam como chamadas de atenção para as calamidades do mundo. Querem ser “VOZ” de conceitos humanistas, ecológicos e daqueles que foram silenciados.

Vemos ao longo da representação escarpas feitas de rochedos gelados, apontando para uma superfície que requer cuidados se a sua crosta se quiser percorrer. A propósito o título “Geada atormentando as raízes mais profundas” deixa antever uma certa intriga, funcionando como um alerta. Esta leitura é imediata, sobretudo para um “beirão” como eu que sabe que “as geadas não chegam de todo às raízes mais profundas”.

Os rochedos que vemos aqui, guiam-nos à ideia de escarpa, convocando as duas obras de Leonardo “a virgem dos rochedos” que contêm em si, por sua vez, um simbolismo transversal a várias culturas ao longo dos tempos. O simbolismo de rochedo, no ocidente pela tradição cristã identifica-se como fonte de força e vida: é disso exemplo, quando no relato bíblico Moisés faz jorrar água do rochedo do deserto. Nos Salmos Deus é invocado como um rochedo. Na carta de São Paulo aos Coríntios, Cristo é identificado como um rochedo espiritual de onde verte a bebida de vida. Num dos cinco primeiros livros da bíblia encontramos um cântico de Moisés onde o mesmo refere “Ele (Deus) é o nosso rochedo e a sua obra é perfeita. Todos os seus caminhos são a própria justiça” (Deuteronómio, 32, 4). De um modo semelhante, a mitologia japonesa participa deste ultimo sentido de força e firmeza (Chevalier, Cheerbrant, 2010).

Percorrendo este fundo simbólico, resolvi criar rochedos gelados que apesar de geadas castigadoras, miraculosamente deles surge vida, como uma Laranjeira.

A laranjeira é símbolo de possibilidade, ela expõe-se aqui como um equivoco já que os citrinos não crescem em terras altas e geladas. A laranja como todos os frutos com muitos caroços é fruto de fecundidade. A título de exemplo, no Vietnam antigamente davam laranjas ao jovens casais, na china antiga dar laranjas a raparigas significava pedir as mesmas em casamento (op.cit).

O Cavalo de todos os outros animais, porque tem o destino inseparável e coincidente com o do homem, já que é veiculo, nave e montada. Ele é simultaneamente luz e trevas, simboliza por vezes o mal, mas é sobretudo símbolo das vitórias do bem. No último livro da Bíblia, no Apocalipse, o cavalo branco é símbolo final de majestade, Maomé é esperado na sua aparição num cavalo branco, Buda é muitas vezes representado com um cavalo, ou apenas a representação do cavalo simboliza-o. O cavalo é apesar de tudo a expressão do Poder. É por esta razão que tenho vindo a representar muitas vezes cavaleiros que viram as costas aos seus próprios cavalos, duvidando assim dos próprios alicerces que os entronizam, procurando nesse gesto novas perspectivas (exemplo da obra “Os súbditos da convenção”). Geralmente modifico a representação de monumentos e a estatuária equestre para propor novas leituras (exemplo da obra “A desculpa dos monumentos”), como neste caso em que o cavalo é o próprio cavalo, ou então o cavalo é o próprio alvo do cavaleiro que o montou, destacando-se aqui a ausência do cavaleiro. Apenas se mantém na representação a sua vara pertencente ao torneio chamado de Justa (jogo marcial da Idade Média séc. XI, onde muitos cavaleiros fizeram fortuna com estes eventos, enquanto muitos a perderam, ou mesmo a vida. A título de curiosidade, sabemos que Henrique II da França, por exemplo, morreu quando uma lança do seu adversário atravessou a sua viseira e a quebrou em fragmentos). Portanto, o sentido conotativo pretendido percorre este caminho, em que o cavalo que volta a si mesmo é o apelo à essência da vida única e rica de cada um, enquanto que a ausência do cavaleiro remete para a sua total presença, mas uma verdadeira e integra presença. Quando Gonçalo M. Tavares referiu numa das minhas exposições recentes que se tratava da “exposição da cabeça” acertou em cheio neste jogo de simbologias. É o prazer da ausência que estes seres especiais e amputados trazem para a representação. A força da omissão revela-se quando ela traz à presença as plenitudes das partes ausentes.

Ao centro do quadro vemos uma ampulheta. A ampulheta é símbolo do tempo, do seu escoamento, mas também significa a possibilidade, através da sua inversão. A ampulheta permite a inversão entre o cheio e o vazio, o baixo e o alto, o superior e o inferior. Em suma a possibilidade de inverter/modificar a nossa maneira de agir e ver. Neste caso a ampulheta tem as suas simbologias descentradas, ou ampliadas, já que a representei como um edifício de tipologia clássica, aparentemente estanque, que já não dá para inverter. Solidificou-se portanto na sua própria razão. Mas, apesar disso movimenta-se numa rocha vermelha que contraria a gravidade, levitando.

A exploração artística da leveza das rochas e da matéria devo-a ao surrealismo e à sua lição dos significados aparentemente irreconciliáveis. Neste enunciado, a ampulheta mostra o fim do escoamento, o termo de um desenvolvimento cíclico. O pássaro debruça-se sobre este fim cíclico para se poder alimentar. Portanto a ampulheta representada será o fim ultimo da nossa mente descolonizada, emancipada e livre de “geadas” para poder melhor abarcar o todo incomensurável.

A obra “Europa Raptando” é também ela, como costumo referir, uma “Artedvertência”, ou seja, uma advertência feita com os significados simbólicos da arte. “Europa Raptando” mostra uma superfície rochosa gelada apontando para a mesma intriga do quadro anterior, atraindo a simbologia de fertilidade duma laranjeira a terras altas e geladas.

Na representação central desta obra está uma figura feminina que se debruça sobre uma personagem recorrente nas minhas obras, denominada de “Criatura”. Pelo titulo e pelo puxão de gravata representado, apreendemos, que a figura feminina representa a Europa. Na tradição mitológica, difundida durante os séculos pelas artes, Europa foi sempre representada como vitima de um rapto. Europa era a filha de um rei Fenício, que foi raptada por Zeus até à ilha de Creta na Grécia. No ano de 2012, ano da criação destas obras, no auge da crise social e económica Europeia, explorei a fusão dos sentidos mitológicos com os do império contemporâneo a que eu chamo de “Hiper Capitalista”. Uma versão perversa do capitalista. Sublinhei coincidências entre o relato bíblico do Apocalipse , que foi revelado e redigido numa ilha grega (em Patmus) pelo apostolo João, quando para todos os efeitos a Grécia foi a face da crise económica, social e humana na Europa, obrigando-nos a todos que vivemos uma crise semelhante, a repensar os conceitos de solidariedade, austeridade, capitalismo e união.

Quando a Europa rapta neste quadro, colocando a auréola de santo à “criatura” de fato e gravata, quer proporcionar o reequacionar dos nossos alicerces. Quer denunciar o denominado de “Norte Global”, tão bem identificado pelo Boaventura de Sousa Santos e pela sua equipa CES – nomeadamente o projecto Alice. Norte Global, aquele que comanda os ditos países colonizados do sul, impondo as suas vontades, esventrando a identidade e a diversidade daquelas culturas denominadas por este de mais fracas e pouco sofisticadas.

Para o futuro acontecer e não um presumível apocalipse a Europa, em sentido metafórico deve mesmo raptar, ou então resgatar os seus fundamentos e alicerces originais.

Quis ampliar esta intenção trazendo para a representação dois animais: O veado e o unicórnio. O veado que é símbolo de fecundidade, associado aos renascimentos e ciclos de renovação da natureza. Significados frequentes na tradição cristã, muçulmana, nos índios das Américas, na mitologia clássica e oriental. O veado é também frequentemente associado à árvore da vida, tornando-se imagem arcaica da renovação; O unicórnio é símbolo também ele de fecundidade, poder, virtude e pureza. Na Idade Média tornou-se símbolo da encarnação do verbo de Deus no seio de Virgem Maria, ou dito de outro modo, a virgem fecundada pelo espírito santo. Esta ligação, mística e espiritual digamos que “alquímica”, atai o desenho de Leonardo Da Vinci, onde vemos uma jovem e um unicórnio junto a uma árvore onde ela o amarrou. Esta ligação (unicórnio e mundo feminino) surge também no famoso Códice H, ou “Bestiário” de Leonardo, onde o mesmo refere que o unicórnio abandona a sua ferocidade aproximando-se das donzelas que tanto o atraem, chegando adormecer nos seus colos e só assim os caçadores os conseguem apanhar. Para os alquimistas, entre os quais Lambsprinck (XVI), Veado e Unicórnio são símbolos de sabedoria e poder, a força da floresta e o contacto com o ouro Filosofal e a transformação interior (Alexander Roob, 2006). Portanto neste cenário, Veado e Cavalo são como o poder imenso da floresta e da natureza, eles funcionam como arautos deste acto, eles são símbolo de força e retidão, os pilares necessários para que as velas justas consigam colher os melhores ventos.

Existe aqui uma retórica da própria pintura. Os tons que escolho para representar determinados objectos ou figuras transportam amplas mensagens. Por exemplo, ao centro vemos uma vela de uma suposta caravela, é vermelha em analogia ao vermelho da bandeira portuguesa, simboliza também ela o sangue, não aquele derramado em batalha, mas antes o sangue vivo dos povos de Hoje e de Amanhã nas mãos dos líderes. Esperemos que na encruzilhada do rapto que aludo aqui, ou melhor, já na suposta solução de resgate onde os princípios humanistas e fundadores da dignidade e da justiça são os fios da conduta daqueles.

O Sólido geométrico donde a figura central se ergue remete para a mesma simbologia da cor, e em termos formais também estabelece fortes ligações com a iconografia da bandeira nacional. Este objecto de faces pentagonais cita as quinas e sobretudo a Esfera Armilar, na alusão às aventuras dos descobrimentos e conquistas. No entanto, aqui a esfera é transformada em sólido geométrico, apontando ao chamado espírito cartesiano e da razão exacerbada com que as civilizações do norte global se têm alicerçado. Trata-se de um apelo para um ponderar do espírito rígido da razão, ou um certo “depois de D. Sebastião”. Este sólido funciona como uma base pertinente que segura duas figuras que não são mais que um olhar atento para o futuro. De resto, o mastro da vela pintado a verde e representado como uma estaca naquele solo rochoso, assume-se como um pêndulo, revelando que toda esta obra é um exercício de escolha e de esperança.

Resta-me agradecer a vossa atenção simbolizando ao mesmo tempo a entrega oficial destas obras e a sua placa comemorativa à Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra para seu espólio, agradecendo àqueles que apoiaram esta causa: A Sonae, a Clínica Dr. Rufino e ao Colecionador José Constantino Vázquez Lorenzo.

Muito Obrigado”

 

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“Um estudo Social de Imagens: Significados e Pluridiversidade na obra de Mário Vitória”

Amigos,

Recentemente Ana Carmem Nascimento concluiu o seu Doutoramento intitulado “Um estudo Social de Imagens: Significados e Pluridiversidade na obra de Mário Vitória”

Umberto Eco dizia frequentemente que não gostava de artistas porque eram muito vaidosos…..Cresci então sempre com esta ideia bem perto das minhas ideias, aliás não é novidade a minha admiração por este colosso… mas hoje estou vaidoso, sim! e super orgulhoso também!! São os traços, manchas e objectos em orbita falando da sobrevivência na luta pela dignidade humana!!   PARABÉNS Ana Carmem Nascimento pela coragem e dedicação atenta aos conteúdos que os meus trabalhos vão apelando, PARABÉNS Vania Gico pela orientação e por toda a força que deu à Carmem!!!! Parabéns ao Júri e a todos que estiveram neste dia nas provas da Carmem e ….. Let´s Go que está tudo ainda por fazer neste mundo bem desarrumado!!!

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I’m very happy to Know that Ana Carmem Nascimento was successfully completed the defense of his Doctoral Thesis: “Um estudo Social de Imagens: Significados e Pluridiversidade na obra de Mário Vitória”  Congrats Ana Carmem for your PhD Thesis!!!!

Defesa da tese da Carmem

Recent interview/ Entrevista recente

Entrevista recente (Villas&Golfe http://www.villasegolfe.com/pt/articles/info/292/)….para ler antes de dar um salto às “Lucubrações” no Museu Amadeo de Souza Cardoso em Amarante/
Recent interview…before visit the exhibition “Lucubrations” at Amadeo de Souza Cardoso Museum, in Amarante (pt)
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.968789046501943.1073741841.264176066963248&type=3

Lucubrações para as partes mais vulneráveis da matéria / Lucubration for the most vulnerable for the most vulnerable parts of the matter

Amig@s,
deixo-vos o detalhe da obra “WE ARE” anunciando a minha próxima exposição individual: “Lucubrações para as partes mais vulneráveis da matéria”.
Estão todos convidados para a inauguração a acontecer no Museu Munícipal Amadeo de Souza Cardoso em Amarante (http://www.amadeosouza-cardoso.pt/pt) dia 19 de Março pelas 16h.

Com a participação dos textos em Catálogo: Prof. António Cardoso & José Luiz Peixoto
Até Lá Forte Abraço
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Dear Friends, I leave you the detail of the artwork “WE ARE” announcing my next solo exhibition, at Amadeo de Souza Cardoso Museum, Amarante (http://www.amadeosouza-cardoso.pt/pt) Opening 19th March, 16pm. Everyone are invited!!
Until there
Strong Hug!!

Text participations by: Prof. António Cardoso & José Luiz Peixoto

We are, materiais diversos, 30x36x25cm, 2013