Vai uma debruçada no muro?
23 Novembro, 2009
Outro dia debruçada no muro, disse-me a minha vizinha: olha, “Naturezas Assassinas” são “ Manchas e Traços à Beira D´água”, pedras pesadas na cabeça!
Fui para dentro imaginar o grande buraco que existia no muro e comecei a registar tal facto.
Decifre quem decifrar, pode dar uma olhos-de-vista nisto quem quiser! Onde? Na Arte Lisboa 09 até amanhã dia 23 na FIL, Galeria Arthobler (ou no site da galeria). Como não há Belém sem pastéis, podem também passar na LX Factory até 6 de Dezembro e completam o “tour” – Desvio TUTTI FRUTTI para toda a Família.
Até breve,
Um grande abraço
O indivíduo como paradoxo, sobre o trabalho de Mário Vitória
valter hugo mãe
A exuberância das imagens de Mário Vitória prende-se à sua imaginação prodigiosa que lhe permite criar as mais extensas narrativas numa só tela, sendo exímio no domínio da metáfora, sempre tão rente à crítica do teatro humano. O trabalho deste artista é, assim, feito de uma profundidade admirável, mesclando opostos para acusar a complementaridade das forças, como se inevitavelmente fossemos todos origem de bem e de mal. Não é de estranhar, por isso, que a amplitude das referências de Mário Vitória possa começar na Disney e chegar a Alfred Hitchcock, colocando numa mesma cena a ingenuidade, a melancolia, a agressão e até o grotesco, num resultado que acaba sempre por ser uma violência clara da existência, como se a existência, por definição, dependa ou se faça da violência.
A ironia com que isto é assumido acentua-se na exposição que agora apresenta, sobretudo nas telas em que naturezas mortas se vêem invadidas por figuras reconhecíveis do imaginário infantil, numa mistura de um certo clássico com um profundo pop, entre o que poderia ser imediatamente entendido como uma relação da arte com a não-arte, ou arte menor. A citação directa que o artista faz dessas personagens de banda desenhada ganha um relevo fundamental, sendo a partir delas que se destroem as ideias preconcebidas do que é um quadro (do que é a arte), como se de uma contaminação se tratasse, vinda do quotidiano desprevenido da infância. Esta intromissão de tais figuras na tela são a sarcástica maneira que encontrou para denunciar o declínio das boas vontades, como se fosse irremediável um destino de desgraça, como se desgraçar o próximo fosse apanágio da sociedade contemporânea e como se, mais concreto ainda, esses valores nos fossem já incutidos pelas brincadeiras de miúdos, por esse mundo de brinquedos e imagens com que nos detivemos longa e inocentemente nos tenros anos das nossas vidas.
Em suma, tudo vive no conflito, em estado de crise fundamental que tudo convoca e tudo obriga a uma defesa, sob pena de perecer numa participação tão efémera na vida. Tudo sobrevive – condição irónica de estar vivo, a da sobrevivência –, como num jogo em que o corpo, o carácter, o equívoco, o azar, ou qualquer outra premissa se pode rebelar contra a nossa viabilidade ou contra viabilidade dos nossos intentos, para dificultar-nos ou impedir-nos de vez o caminho.
Perante as telas de Mário Vitória todas as coisas do mundo, e todas as histórias, podem ser encontradas, pela espantosa capacidade de deixar pistas sem nunca se tornar demasiado definido, sem nunca nos retirar a possibilidade de criarmos também, que é o mesmo que dizer que nos deixa um longo espaço para a identificação, onde creio que caibamos, mais rápida ou mais lentamente, uns e outros até à exaustão. Como acontece nas grandes obras, obviamente.
galeria arthobler, stand 4D10
rua miguel bombarda 624, 4050-379 porto
info@arthobler.com T +351 226 084 448
lx factory, rua rodrigues faria 103, 1300-501 lisboa
lx@arthobler.com T +351 965 865 186
No chupa-chupa assassino
1 Setembro, 2009
Neste belo mês de Setembro comemoro dias somados de vida neste planeta. As ruas vão encher-se de carros novamente e a gripe deixa de apanhar banhos de sol. Como tenho vindo a ser um bom robot, comemoro o próximo mês de Setembro com esta publicação de trabalhos, antecipando a minha próxima exposição. Animais, fantoches e muita fruta….Tentei mas não consigo deixar de bater no ceguinho. Foi assim todo o verão, a meu ver a culpa volta a ser da natureza, que continua assumir-se assassina. Como pintura e o desenho sobrevivem para além dos recibos que os comprovam, sublinho a sua intenção no entusiasmo deste mês legislativo: acção (a) moral válida e fatal. Ou seja, que nunca nos esqueçamos que chupa-chupa depende de quem o lambe, daquele que o quer cobrar, mas sobretudo daquele que o compra – pergunta-lhe como se faz!!
Imagens de “Confrontos”/ “Confrontation images”
12 Julho, 2009
Deixo-vos as imagens da exposição “Confrontos” na galeria Arthobler no passado sábado dia 4 no Porto.
Desde já, agradeço a cedência das imagens ao meu colega de exposição Carlos No aproveitando para o felicitar da nossa exposição, assim como a toda a equipa da galeria Arthobler.
Até breve e passem por lá, depois falamos…
Natureza Assassina: o conceito de Abstenção são três brejeiras que explicam a diferença entre o cómico e o humor
14 Junho, 2009
Das eleições interessa reter que o belo almoço ou jantar já não é sénior, mas sim juvenil. Ouvia eu no fundo de uma galeria de arte (por sinal), um comentador dos vários discursos políticos, “filho inscreve-te na juventude…mais à direita ou mais à esquerda, fazes erasmus, rappel, interail, entras no processo da cadeia alimentar e não chateias sequer o centro de emprego. Hoje pensamos um pouco nas nossas “cores politicas”, no “esbanjamento” e em coisas “privadas e particulares” que à força querem de repente ser públicas.
Abstenção? Que coisa feia, isso não é politica! Pois não meu caro, é um conceito. É o que separa o cómico do humor. Passo a explicar, estava eu apanhar umas areias nos olhos numa praia vulgarmente assediada pelo vento, quando ouvi uma daquelas sentenças que parecem lemas a estampar em t-shirts, ou ter como frase de abertura de um diário. Na diferença entre o cómico e o humor está abstenção, que são três raparigas que desciam a colina e vai uma delas diz para a outra, “olha mata-te e compra a bíblia”. Porra que coisa dura e brejeira de se dizer em voz alta, mas talvez se aplique aqui o sentido do absurdo:
1 É cómico – Saber que votar solidifica os nossos papéis na vida sócio politica do pais e não se votar.
2) É humor - Saber (através das três brejeiras) que ler pertence a um estado específico de vida; uma reflexão íntima e trágica de alguém que está em vazio como quem faz uma greve de fome; simpatia e rebeldia pela condição humana.
Sobre esta abstenção quero voltar a relembrar que desde que desapareceu a menina na praia da luz já desapareceram mais de meia centena de crianças, só em Lisboa. Que a contratação de menino de ouro dava para comprar as sardinhas aos espanhóis e se sobrasse dinheiro surgia um hospital ou dois. Santo António facilitava enrascados (de amores) existiu mesmo e era português. Desenrascou-se da nostalgia e assim que conquistou o respeito por todos resolveu não voltar a casa. A natureza é mesmo assim “Assassina” feita de língua comprida de generalidades e celebrações.
Já lá vai uma semana onde se sublinhou que a areia nos olhos não é sinónimo de cegueira, apenas estado de sonolência. Foi assim que aqueles que derrubaram o regime em 74 pensaram sair do buraco, ou tapá-lo. Ontem liberalismo, o capitalismo também se diz de ontem, hoje é “tapa buracos”, gerúndios do passado. E o amanhã? Provavelmente raposa velha, que não morre, vira jibóia esguia e escorregadia, ou então tubarão fumado de água amarga. Hoje 1 de Maio, do tempo contemporâneo, aquele de mão pesada que serve batata quente em praça, manifestação violenta de feriado mal passado, faz-se homenagem à luta sindical. Como vimos hoje na Turquia, França, Grécia, Alemanha, e para não parecer demasiado cientifico deixo um etc….
Mais do que nunca, tempo de censura real, tempo de despiste eminente sobre nobres e sua explicação mágica, como razão de “fenómenos temperamentais”. Quem faz os heróis? Quem a eles se refere, correcto. O querer da pátria é tudo uma outra coisa. Provavelmente quanto a nós, Tina tinhas razão! não precisamos de um outro herói, até porque já temos o do Restelo, ontem conservador, hoje realismo inevitável.
Deixo-vos uma nova série de desenhos, intitulada de “A revolta dos nobres”. Nos tempos que correm todos precisam de grandes épicos, já viram “os miseráveis” através de Susan Boyle?
Casos da vida: até porque se os coelhos deixam de pôr ovos isto tudo deixa de ter piada /
11 Abril, 2009
Aqui vai um belo desenho de 2007 naquilo que foi uma bela sexta-feira santa de 2009.
Perguntaram-me recentemente o porquê da tauromaquia no desenho.
Pedi desculpa por não ter respondido à questão em tempo devido…
até porque tenho andado numa correria como “bicho que foge para/das farpas”,
Houve quem disse-se “pronto o moço é ibérico” no entanto a maior tourada pratica-se bem longe daqui… em força na terra deles (isso sim é fascinante). Passando ironia ao lado…fico pela alegoria…provavelmente a razão venha de um deleite por uma tradição estatuária de gesso e mais gesso, de Minotauros que perseguem o homem, ou mesmo o simbolismo da tauromaquia em Goya, com algum fascínio astral em que touro significa Homem (alguns…)
o manso e o agressivo da vida, o doce e agridoce que me faz alçar da cama, cheiro que me mata a fome e as alegrias, o salivar que me prende à terra e me afasta dos deuses criadores de vida. Comprovam todos eles o meu esforço inglório de tentar perceber porque no “tauro” se encontra a “maquia” (dinheiro, lucro,) e na união – tauromaquia a arte de tourear…bem…. diz-me a geada que está lá fora que a remuneração nunca fez mal a ninguém, mas isso é espectáculo ou vida? Claro que nunca existiu um sem o outro! que digam os cristãos com pé em solo romano.
Não desanime…respondi eu…caso não lhe tenha respondido à questão, faz muito bem em ler (sim ler) alguns outros desenhos onde esta problemática surge. Encontrará ali a resposta valida. Os desenhos são jogos e peças puzzle, não fossem eles parte de tauromaquia – uma “arte e um combate”.
Dizia um amigo meu que cresceu a dar chutos na bola ao lado do coliseu, “que faço eu com toda esta tradição?”
Hoje provavelmente lhe responderia “faz uma baliza”.
A lost dog can start to see colors If exist a new way to see / Se existe um novo modo de ver então um cão vadio pode passar a ver a cores
27 Fevereiro, 2009
O desenho é ferramenta imediata de descodificação de ninhos de cus, a seu tempo a sua irrealidade manifestada acrescenta-se mais verdadeira do que a própria realidade, pelo menos possibilita um novo modo de ver. Quem desenha sente-se assim activo no virtual que é uma ficção, sem esquecer de que nada se cria através do nada. Estes desenhos assumem-se residuais e fragmentários, por isso mesmo, são palimpsestos. Historias e mais historias de uma Estória que se repete neste bela Republica carnavalesca, não fosse o Carnaval uma permissão para pisar a linha, excesso e ridículo de mão dada, no entanto por aqui ainda não se queimou o Entrudo.
Ninho de cus
submerged/Submerso
14 Janeiro, 2009
A amnésia libertou o natal de euforias mundiais (para alguns), no entanto acordamos para este novo ano em remates e defesas à baliza naquilo que é a troca de carícias entre vizinhos. Nestes novos Desenhos apresenta-se um estado submerso onde a percentagem submergida corresponde à minoria daquilo que interessa, valha-nos o escafandro que permite mergulhar na visualização inteiriça do iceberg.








































